Vimos anteriormente que o Espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência estuda as relações entre nós e o mundo dos Espíritos; como doutrina filosófica, compreende todas as conseqüências morais que decorrem destas relações. O Espiritismo se apresenta, então, sob três spectos: Manifestações, Princípios morais e filosofia decorrente e, finalmente, aplicação destes princípios.
Para aqueles que acreditam nas manifestações e se limitam a comprová-la, o Espiritismo é uma ciência experimental. Para aqueles que percebem as conseqüências morais o Espiritismo é uma doutrina filosófica. Para aqueles que se esforçam em praticá-la, o Espiritismo tem um caráter religioso.
Aspecto Científico da Doutrina Espírita
Toda ciência nasce de um processo cumulativo de observações sucessivas. Os fatos ou fenômenos espíritas são o objeto de estudo da Ciência Espírita; seu estudo cuidadoso permite fixar as leis que os regem. Gabriel Delanne em sua obra "O Fenômeno Espírita" salienta:
"O Espiritismo é uma ciência cujo fim é a demonstração experimental da existência da alma e sua imortalidade, por meio de comunicações com aqueles aos quais impropriamente têm sido chamados de mortos".
Aspecto Filosófico da Doutrina Espírita
Kardec em O Livro dos Espíritos, na conclusão desta obra, enfatiza:
"Falsíssima idéia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais e que, portanto, obstando-se a tais manifestações, se lhe terá minado a base. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso[...]"
Quando o Homem pergunta, interroga, cogita, pensa, quer saber o "como" e o "porquê" das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, nasce a FILOSOFIA, que mostra o que são as coisas e porque são o que são.
O caráter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo que faz do Homem, sobretudo enquanto Espírito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinação. Este estudo leva ao conhecimento de como os Homens que vivem aqui na Terra se relacionam com aqueles que, temporariamente, já se despediram dela. Ou seja, o Espiritismo estabelece as bases desse relacionamento e demonstra de forma inquestionável a existência de algo que tudo cria, tudo comanda e é inteligente: DEUS.
Aspecto Religioso da Doutrina Espírita
No discursso de abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, na Sociedade de Paris, Allan Kardec respondendo à pergunta: "O Espiritismo é uma Religião?" afirma:
"...O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo é [...] essencialmente moral, que liga os corações [...] e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade[...]. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une [...] a fraternidade e solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas[...]. Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos [...] sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza. [...] declaramos que o Espiritismo não é uma religião em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou"
Segundo Emmanuel:
"Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado [...] como um triângulo de forças espirituais. A Ciência e a Filosofia vinculam-se à Terra [...] A religião é o ângulo divino que liga ao céu. No seu aspecto científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas [...]. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual"
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