Escola Espírita Francisco de Assis

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O contexto histórico do século XIX na Europa

 

O século XIX, também conhecido como o século da Razão, vai de 1801 até 1900. Foi o século das grandes invenções, das profundas transformações político-sociais e econômicas que influenciariam as gerações seguintes. Todas estas transformações foram fortemente apoiadas nas idéias renovadoras da Filosofia e Ciências divulgadas pelos enciclopedistas, tais como Voltaire, Mostesquieu, Rousseau, D´Alembert, Diderot e Quesnay, entre outros, no século XVIII - também conhecido como século das luzes.

Foi justamente neste século (XIX) que o professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail codificou a Doutrina Espírita adotando o nome de Allan Kardec.

A Revolução Francesa e suas conseqüências

Nesta época, a sociedade francesa era constituída de três grupos sociais básicos: Primeiro Estado formado pelo clero (2%), Segundo Estado formado pela nobreza (2,5%) e o Terceiro Estado formado pela burguesia, artesãos, proletariado industrial e camponeses (95%). A burguesia tinha poder econômico devido as suas atividades industriais e financeiras, mas não tinha participação política. Foi esta a razão da Revolução Francesa de 14 de julho de 1789 (Século XVIII).

Vários foram os benefícios sociais da Revolução Francesa, dentre os quais podemos citar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Entre o final do século XVIII e início do século XIX, Napoleão Bonaparte promove uma nova constituição, reestrutura o aparelho burocrático, cria o ensino público, separa o Estado da religião, garante a liberdade individual, igualdade perante à lei, o direito à propriedade privada, o divórcio e adota o primeiro código comercial. Após Napoleão, a França passa por um período de transformações político sociais.

A Revolução Industrial e as suas repercussões

A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII promove profundas transformações sociais servindo de alavanca para o progresso tecnológico que presenciamos nos dias atuais. Propiciou o desenvolvimento das relações internacionais, transformando o mundo numa aldeia global. Produziu também, devido ao atraso moral da humanidade, malefícios - tais como a exploração do trabalho.

Manisfestações artísticas e culturais do século XIX

As atividades artísticas e culturais do século XIX revelam uma preferência romântica, que por sua vez influencia as idéia políticas e sociais abraçadas pela burguesia revolucionária. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade eram associados às manifestações românticas.

Manifestações filosóficas, políticas, religiosas, sociais e científicas do século XIX

No campo da filosofia observa-se que a mesma passa a não tolerar os dogmas da Igreja e, longe de exemplificar aquela fraternidade do Divino Mestre, recolhe-se no seu negativismo transcendente, aplicando às suas manifestações os mesmos princípios da ciência racional e materialista. Tais ideias conduzem aos exageros do cientificismo em que a fé na ciência se torna a verdadeira fé. Na Inglaterra do século XVIII, William Godwin desenvolve o pensamento anárquico, de onde surgem, no século XIX, duas correntes principais. A primeira, encabeçada por Pierre-Joseph Proudhon afirma que a sociedade deve estruturar sua produção em pequenas associações baseadas no auxílio mútuo entre as pessoas, sendo as mudanças feitas com base na fraternidade. A segunda, encabeçada por Mikhail Bakunin, defende a utilização de meios violentos nos processos de transformação da sociedade. Os movimentos políticos confrontam as práticas religiosas da Igreja, desviada dos princípios morais e aproximada das necessidades da nobreza reinante. A fragilidade da Igreja Católica abre espaço para a expansão das doutrinas divulgadas pelas Igrejas reformadas. Os questionamentos levam a um reexame dos textos bíblicos e até a um estudo da razão de ser do cristianismo.

É importante assinalar uma revolução diferente ocorrida nesta época - A revolução moral proposta pelo Espiritismo. As lições sagradas do espiritismo iam ser ouvidas pela Humanidade sofredora. Jesus, na sua magnanimidade, repartiria o pão sagrado da esperança e da crença com todos os corações. Allan Kardec na sua missão de esclarecimento e consolação, fazia-se acompanhar de uma plêiade de companheiros e colaboradores, cuja ação regeneradora não se manifestaria tão-somente nos problemas de ordem doutrinária, mas em todos os departamentos da atividade intelectual do século XIX.